Retrô: capas de livros nos anos 60

sexta-feira, 8 de julho de 2011

fotografia em alto-contraste foi uma das técnicas
utilizadas por Eugenio Hirsch em suas capas

O livro é considerado o grande símbolo da cultura e a construção de sua materialidade, de seu design sempre foi e ainda é um grande desafio. A produção do livro no Brasil é muito jovem quando comparada a europeia, mas ainda assim é uma das tradições mais consolidadas do design. 

A história do livro é pontuada por grandes editores e editoras. Laemmert e Garnier, Saraiva, Melhoramentos, Companhia Editora Nacional, Civilização Brasileira e outras. Desde os primórdios das editoras até os anos 60 se ouve falar desses grandes editores, editoras e autores, mas pouco se escuta dos profissionais que deram forma ao livro. 

Esse cenário só começa a mudar a partir, justamente, da década 1960. O ponto mais visível dessa ruptura acontece quando Ênio Silveira, editor da Civilização Brasileira dá uma grande liberdade ao designer austríaco Eugenio Hirsch para fazer as capas dos livros da editora.

Mas qual foi essa grande mudança? Acaba-se com o diagrama "autor, título, ilustração e editores" dispostos um sobre o outro centralizados num eixo vertical. A imagem passou a ocupar o espaço inteiro e os textos passaram a flutuar no espaço conforme cada situação e muitas vezes a própria tipografia ganhava status de imagem e poderia protagonizar a capa, além da presença do espaço vazio como elemento gráfico.

Eugenio Hirsch impressiona pela quantidade, qualidade e diversidade encontradas em seus trabalhos. Morava na Argentina e começou a trabalhar na Civilização Brasileira em 1959, quando já era quarentão. 

Em suas capas pretendia surpreender o leitor e acreditava estar empenhado nas vendas dos livros. Tinha formação de artista e pode-se ver traços do expressionismo nas capas Cristo partido ao meio, O crepúsculo de um romance, Tóia e Lolita (acima).

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