História da revista Claudia

sexta-feira, 23 de março de 2012


Estava com este post na cabeça desde que terminei meu TCC. Cheguei a começar mas veio o Curso Abril de Jornalismo e ficou difícil para terminá-lo. O curioso é que caí justamente num projeto para a revista Claudia no Curso Abril e este post acabou se tornando também algo pessoal. Mas vamos ao que interessa, a história da maior revista feminina do país:

Claudia foi lançada pela Editora Abril em 1961 com o nome que Victor (fundador da Editora Abril) e Sylvana Civita (sua esposa) queriam dar a filha que nunca tiveram. 
Inicialmente, o foco da revista era a mulher no território de casa. “A leitora-padrão que a gente tinha em mente naquele tempo, até o seu Victor brincava muito, era a dona Mariazinha de Botucatu, uma senhora interessada em casa, marido e filhos”, lembra Thomaz Souto Corrêa, vice-presidente do conselho editorial da Abril, ex-redator-chefe e, mais tarde, diretor da revista.
Na época, o mundo doméstico ganhava grandes novidades. Chegavam ao mercado geladeiras, televisores, sabões que “lavavam mais branco” e chocolates solúveis. Produtos que apenas mulheres de uma classe média urbana (ou mais abastadas) poderiam adquirir. 
O projeto editorial de Claudia trazia cartas de aconselhamento, horóscopo, moda, beleza, decoração, culinária, boas maneiras, contos, crônicas, cuidados com animais domésticos, sugestões de livros, educação dos filhos, encartes de moldes de roupas e reportagens informativas. Claudia foi apresentada como a “revista amiga”, representando uma relação de confiabilidade e cumplicidade que se pretendia estabelecer com a leitora. Era comum encontrar nas cartas das leitoras expressões como “Amiga Claudia” e “Querida Claudia”.
A publicação tinha o objetivo não apenas de vender bem nas bancas mas também garantir significantes verbas que viriam da publicidade, o que ocorre até hoje. Sendo assim, o conteúdo “lar” serviu de ótimo veiculo de anúncios numa época em que enceradeiras, fogões, liquidificadores, aspiradores, máquinas de costura e as novas geladeiras e refrigeradores eram objetos de desejo. Outro destaque dentro da publicação era os artigos feministas de Carmem Silva, que denunciava de modo ora ostensivo ora invisível a submissão das mulheres.
Para se manter 50 anos no mercado e ainda ser a maior revista feminina brasileira, Claudia teve que se adaptar às mudanças do tempo e se adequar às exigências do mercado. Hoje já não é mais possível dizer que seu carro-chefe seja o universo doméstico pois a mulher está cada vez mais inserida no mercado de trabalho e exerce diversas função dentro da sociedade além de cuidar do lar. Atualmente, as editorias de beleza e moda possuem maior quantidade de reportagens, seções e destaque dentre as chamadas de capa. As matérias de comportamento ainda englobam temas considerados domésticos como filhos e decoração, mas com enfoque diferente e também há matérias sobre carreira, cultura, finanças e espiritualidade. O público é bem heterogêneo, englobando todas as faixas etárias, as classes sociais A, B e C com a maioria dele concentrado no centro-sul do país, onde está a maior parte da população e onde a revista é melhor distribuída.
As seções de culinária ganharam fascículo próprio que acompanha a edição regular. Além disso, Claudia também tem outras publicações originadas dela: Casa Claudia (publicação mensal sobre decoração) e Claudia Bebê (publicação bimestral com foco na mulher em gestação) além da extinta Moda Claudia e mais recentemente a Claudia Noivas.

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