Aldo Manuzio - Editor, Tipógrafo e Livreiro

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Aldo Manuzio
Aldo Manuzio foi o renascentista humanista que definiu layout e tipografia para livros que continuam atuais. Exerceu três atividades importantíssimas para a editoração: foi editor, tipógrafo e livreiro. No texto abaixo você pode conferir mais detalhes de cada uma de suas atuações.

Editor

Nascido por volta de 1450 em Bassiano di Sermoneta, Aldo Manuzio residiu inicialmente em Roma, onde conheceu a educação clássica. Estudou com professores de comprovada competência e dividiu seu aprendizado aos 25 anos com um adolescente de 12, nobre e superdotado, que seria muito importante na vida de Aldo, tratava-se de Giovani Francesco Pico della Mirandola.
Em 1482, com a guerra entre Veneza em Ferrara, Manuzio se refugia no castelo de Mirandola.
Foi a partir daí que Manuzio passou a considerar a possibilidade de fazer-se editor para oferecer definitivamente a estudantes e estudiosos produtos literários de primeira qualidade, em lugar das péssimas traduções, impressões e edições que, desde seu tempo de estudante atormentavam a ele e a Mirandola.
Em 1494, pouco antes de abrir a tipografia, Mirandola morre e Manuzio decide se fixar em Veneza, devido a enorme atividade tipográfica que existia na região.
Veneza, na Itália
Em 1499, nasce a Neoacademia de Aldo, com inspiração na Academia Platônica (grupo seleto de amigo reunidos com inclinação para a cultura humanística).
A Neoacademia era formada por 32 acadêmicos que se reuniam regularmente para discutir os textos que se propunham a editar, os manuscritos mais adequados que deviam consultar para assegurar a melhor versão e os critérios mais oportunos a seguir.
Em nenhum outro momento da história do livro impresso existiu um conselho editorial permanente tão numeroso ou tão repleto de estrelas como Manuzio conseguir organizar e fazer funcionar.
A Academia era eficaz tanto na seleção dos títulos quanto nas tarefas de correção e supervisão das provas tipográficas, que serão o componente editorial que proporcionará a Aldo o prestígio internacional mais sólido e imediato. Além de tudo isso, também eram escritos comentários e notas das obras.
O processo para obter-se edições impecáveis era particularmente duro. Conseguidos os manuscritos, era preciso lê-los, descobrir as falhas, fixar o texto, preparar os originais de impressão, compô-los e afinal corrigir as provas.
Desta forma, a tipografia Aldina acabou se especializando na impressão da produção grega, sendo as edições dos clássicos as principais publicações. 
Aldo só interrompe a atividade editorial duas vezes. A primeira em 1505 quando se casa, retomando as atividades em 1507. A segunda em 1509 por causa de uma guerra contra Ferrara. Retoma novamente em 1512, três anos antes de morrer. 

Tipógrafo

Em 1500, Aldo inventa a tipografia cursiva que foi entalhada pelo famoso joalheiro Franceso Griffo (descoberto e aliciado a tipografia por Manuzio). Até então, os tipos de imprensa mais comuns costumavam ser moldados sobre alfabetos em tipologia gótica, em variantes pesadas e angulosas, de leitura difícil. Eram heranças das caligrafias produzidas nos manuscritos visigóticos de bíblias e missais. Apesar disso, quando a tipografia cursiva foi inventada já haviam os tipos redondos.
Como se não bastasse, Aldo inaugurou com as Bucólicas, as Geórgias e a Eneida de Virgílio a coleção de bolso mais antiga do mundo, inventando além disso um tipo novo, projetado especialmente para sua adaptação ao formato pequeno do livro. Uma invenção muito ao gosto dos humanistas que viajavam muito.
Página ilustrada do livro Hypnerotomachia Poliphili, de Francesco de
Colonna, Veneza, 1499 (esq.) e 
Encadernação Aldina (falsificação) (dir.)
Era um tipo de corpo pequeno, ligeiramente inclinado, leve e facilmente legível, algo estreiro para permitir encaixar nas linhas daqueles livrinhos o maior número possível de caracteres. A cursiva só se fez novidade no setor tipográfico, já que a letra manuscrita era normalmente assim, torcida. E daí surgiram uma série de lendas a respeito da inspiração para a criação dessas letras.
Os materiais mais comuns para as capas de encadernação era o couro grosso e o pergaminho, igual do tempo do manuscrito.
O modelo tipográfico por Aldo tinha orlas estreitas e motivos centrais em ouro, que davam aspecto nitidamente novo às capas. Os pequenos entalhes eram de fero e representavam as flores extremamente estilizadas, de traços simples, extraídas de motivos das orlas tipográficas de abertura, com os quais se ornavam as páginas de alguns livros (os usados na lombada eram florões). Além disso, a gravação a quente deixava a capa lisa, trocando o rude aspecto do sistema anterior por algo mais refinado.
Efes tipográficos: à esquerda, grupo de tipo redondo (1496)
e cursiva (1501) de Aldo Manuzio: à direita, grupo de cursiva
bodoni (1818) e Stephenson Blake (final do século XIX)
O Livreiro

Aldo com seu enorme tato comercial e cultural, possívelmente, foi o primeiro a considerar um detalhe importante no mundo dos negócios: o logotipo (o golfinho enroscado numa âncora) como elemento primordial de prestígio comercial.
Foi o primeiro a publicar catálogos temáticos de suas obras, com preços incluídos. Estimando-se que a maioria dos livros custaria hoje cerca de R$50.
Além disso, teve prudência para deixar de fazer publicações em épocas de crises e saber o momento certo de rotomar e o que retomar.

Logo da tipografia de Aldo Manuzio
Também usava slogans e frases comerciais, como o que segue abaixo:

“Quanto mais generosamente trocardes vosso metal (dinheiro) por meus livros, mais rapidamente gastaremos o nosso (em sentido duplo, refere-se às moedas e ao chumbo e ao estanho com que se fabricavam as fontes tipográficas) para pôr ao vosso alcance a Antiguidade.”

Aldo Manuzio tinha talento comercial, bom gosto, conhecimento e soube escolher sua equipe, que era de excelente qualidade, desde o conselho editorial e os joalheiros que entalhavam os tipos móveis até o papel e a encadernação utilizada. Segundo alguns autores ele foi o melhor de sua época e se tivesse nascido na revolução industrial, na revolução digital ou ainda no distante ano 3000, também seria o melhor.

Referência
Aldo Manuzio – Editor. Tipógrafo. Livreiro – Enric Satué – Ateliê Editorial

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