| Aldo Manuzio |
Aldo Manuzio foi o renascentista humanista que definiu layout e tipografia para livros que continuam atuais. Exerceu três atividades importantíssimas para a editoração: foi editor, tipógrafo e livreiro. No texto abaixo você pode conferir mais detalhes de cada uma de suas atuações.
Editor
Nascido
por volta de 1450 em Bassiano di Sermoneta, Aldo Manuzio residiu inicialmente em
Roma, onde conheceu a
educação clássica. Estudou com professores de comprovada competência e dividiu seu aprendizado aos 25 anos com um adolescente de 12, nobre e superdotado, que
seria muito importante na vida de Aldo, tratava-se de Giovani Francesco Pico della Mirandola.
Em
1482, com a guerra entre Veneza em Ferrara, Manuzio se refugia no castelo de
Mirandola.
Foi
a partir daí que Manuzio passou a considerar a possibilidade de fazer-se editor
para oferecer definitivamente a estudantes e estudiosos produtos literários de
primeira qualidade, em lugar das péssimas traduções, impressões e edições que,
desde seu tempo de estudante atormentavam a ele e a Mirandola.
Em 1494, pouco antes de abrir a tipografia, Mirandola morre e Manuzio decide se fixar em Veneza, devido a enorme atividade tipográfica que existia na região.
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| Veneza, na Itália |
Em
1499, nasce a Neoacademia de Aldo, com inspiração na Academia Platônica (grupo
seleto de amigo reunidos com inclinação
para a cultura humanística).
A
Neoacademia era
formada por 32 acadêmicos que se reuniam regularmente para discutir os textos
que se propunham a editar, os manuscritos mais adequados que deviam consultar
para assegurar a melhor versão e os critérios mais oportunos a seguir.
Em
nenhum outro momento da história do livro impresso existiu um conselho
editorial permanente tão numeroso ou tão repleto de estrelas como Manuzio
conseguir organizar e fazer funcionar.
A
Academia era eficaz tanto na seleção dos títulos quanto nas tarefas de correção e supervisão das
provas tipográficas, que serão o componente editorial que proporcionará a Aldo
o prestígio internacional mais sólido e imediato. Além de tudo isso, também
eram escritos comentários e notas das obras.
O
processo para obter-se edições impecáveis era particularmente duro. Conseguidos os manuscritos, era preciso lê-los, descobrir as falhas, fixar o
texto, preparar os originais de impressão, compô-los e afinal corrigir as
provas.
Desta
forma, a tipografia Aldina acabou se especializando na impressão da produção
grega, sendo as edições dos clássicos as principais publicações.
Aldo
só interrompe a atividade editorial duas vezes. A primeira em 1505 quando se
casa, retomando as atividades em 1507. A segunda em 1509 por causa de uma guerra
contra Ferrara. Retoma novamente em 1512, três anos antes de morrer.
Tipógrafo
Em 1500, Aldo
inventa a tipografia cursiva que foi entalhada pelo famoso joalheiro Franceso
Griffo (descoberto e aliciado a tipografia por Manuzio). Até então, os tipos de
imprensa mais comuns costumavam ser moldados sobre alfabetos em tipologia
gótica, em variantes pesadas e angulosas, de leitura difícil. Eram heranças das
caligrafias produzidas nos manuscritos visigóticos de bíblias e missais. Apesar
disso, quando a tipografia cursiva foi inventada já haviam os tipos redondos.
Como
se não bastasse, Aldo inaugurou com as Bucólicas, as Geórgias e a Eneida de
Virgílio a coleção de bolso mais antiga do mundo, inventando além disso um tipo
novo, projetado especialmente para sua adaptação ao formato pequeno do livro. Uma invenção muito ao gosto dos
humanistas que viajavam muito.
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| Página ilustrada do livro Hypnerotomachia Poliphili, de Francesco de Colonna, Veneza, 1499 (esq.) e Encadernação Aldina (falsificação) (dir.) |
Era um tipo de corpo pequeno, ligeiramente inclinado, leve e facilmente
legível, algo estreiro para permitir encaixar nas linhas daqueles livrinhos o
maior número possível de caracteres. A cursiva só se fez novidade no setor
tipográfico, já que a letra manuscrita era normalmente assim, torcida. E daí surgiram uma série de lendas a respeito da inspiração para a criação dessas
letras.
Os
materiais mais comuns para as capas de encadernação era o couro grosso e o
pergaminho, igual do tempo do manuscrito.
O
modelo tipográfico por Aldo tinha orlas estreitas e motivos centrais em ouro,
que davam aspecto nitidamente novo às capas. Os pequenos entalhes eram de fero
e representavam as flores extremamente estilizadas, de traços simples,
extraídas de motivos das orlas tipográficas de abertura, com os quais se
ornavam as páginas de alguns livros (os usados na lombada eram florões). Além
disso, a gravação a quente deixava a capa lisa, trocando o rude aspecto do
sistema anterior por algo mais refinado.
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| Efes tipográficos: à esquerda, grupo de tipo redondo (1496) e cursiva (1501) de Aldo Manuzio: à direita, grupo de cursiva bodoni (1818) e Stephenson Blake (final do século XIX) |
O Livreiro
Aldo com seu enorme tato comercial e cultural, possívelmente, foi o primeiro a considerar um detalhe importante no mundo dos negócios: o logotipo (o golfinho enroscado numa âncora) como elemento primordial de prestígio comercial.
Foi o primeiro a publicar catálogos temáticos de suas obras, com preços incluídos. Estimando-se que a maioria dos livros custaria hoje cerca de R$50.
Além disso, teve prudência para deixar de fazer publicações em épocas de crises e saber o momento certo de rotomar e o que retomar.
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| Logo da tipografia de Aldo Manuzio |
Também usava slogans e frases comerciais, como o que segue abaixo:
“Quanto mais generosamente trocardes vosso metal (dinheiro) por meus livros, mais rapidamente gastaremos o nosso (em sentido duplo, refere-se às moedas e ao chumbo e ao estanho com que se fabricavam as fontes tipográficas) para pôr ao vosso alcance a Antiguidade.”
Aldo Manuzio tinha talento comercial, bom gosto, conhecimento e soube escolher sua equipe, que era de excelente qualidade, desde o conselho editorial e os joalheiros que entalhavam os tipos móveis até o papel e a encadernação utilizada. Segundo alguns autores ele foi o melhor de sua época e se tivesse nascido na revolução industrial, na revolução digital ou ainda no distante ano 3000, também seria o melhor.
Referência
Aldo Manuzio – Editor. Tipógrafo. Livreiro – Enric Satué – Ateliê Editorial




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