Reciclagem de capas

terça-feira, 31 de julho de 2012

Beyonce nas capas da Cosmopolitan UK em abril de 2001
e na Vanity Fair em Novembro de 2005
Uma prática muito comum no mundo editorial é a compra de fotografias de banco de imagens, fotógrafos e outras fontes, já que é praticamente impossível produzir 100% de todo material visual estampado nas páginas das revistas, tanto por questões de tempo quanto por custos.

No miolo, as imagens usadas e reutilizadas passam muitas vezes despercebidas, mas nas capas a situação se mostra mais gritante como podemos ver nos exemplos desse post.
Vários motivos podem levar as redações a optar pela não produção exclusiva de um elemento tão importante como a capa. Entre eles podemos citar o fato do retratado ser uma celebridade internacional de difícil acesso ou cujo valor de execução da foto seria exorbitante, além de falta de disponibilidade do entrevistado ou ainda corte de custos.

Em alguns casos, não há muita escolha e a compra de imagens para a capa acaba sendo a única solução. Porém, essa decisão deve ser evitada ao máximo pois a fotografia é fundamental para a construção da personalidade da revista e enquanto uma foto produzida leva em consideração isso, a comprada foi feita em outro contexto com objetivos muitas vezes bem diferentes da revista que a republicou.

Vogue EUA/ Glamour Alemanha/ Elle França
No primeiro exemplo, Carey Mulligan estrelou em outubro de 2010 a capa da “Vogue” americana; a fotografia feita por Peter Lindbergh também aparece na “Glamour” alemã em dezembro e, em novembro de 2011, na “Elle” francesa. Nas três capas a diferença de corte da imagem e tratamento são mínimas.

VanityFair Espanha/ GQ Espanha
A foto original é de um ensaio para a Vogue de 2008 mas foi reutilizada numa edição da VanityFair de 2009 e na GQ espanhola de agosto deste ano. E aí? A foto parece que foi produzida para uma revista de moda, de comportamento ou para uma masculina?

Joy Rússia/ Glamour Rússia
Um dos casos mais polêmicos é o da Revista russa Joy publicada em 2007 pois dois anos depois, em 2009, a edição russa da Glamour publicou uma capa aparentemente com a mesma foto da Joy só que na segunda, Beyonce aparece com a pele muito mais escura. A partir disso surgiu a dúvida: a revista Joy teria clareado a pele da cantora? Lembrando que a mesma questão surgiu em uma campanha que Beyonce fez para a L'oreal, onde ela aparece visivelmente mais clara.

Vogue EUA/ Cosmopolitan Austrália
Em abril de 2010, Gisele Bündchen foi fotografada por Patrick Demarchelier para a edição americana da revista Vogue. Já em janeiro deste ano, a Cosmopolitan australiana não apenas reutilizou a imagem como cometeu o crime de "flipar" a foto. Pessoal, flipar é só para stills de sapatos, alguns stills de produtos de beleza e coisas desse tipo. Nunca para pessoas. Nunca!  

Dansk (Dinamarca)/ Lola Magazine (Brasil)
A brasileira Lola (que passou a produzir as fotos de capa a partir da edição 4), de dezembro de 2010, trouxe Gisele em fotografia de Nino Muñoz que foi feita originalmente para a revista dinamarquesa “DANSK” de Outono/Inverno 2009.

Muse (Itália) / Elle Brasil
Gisele mais uma vez. A “Elle” nacional trouxe a modelo na capa de sua edição de aniversário de 2011, no mês de maio. A imagem, também de Muñoz, era integrante no editorial “Earth Angel” da revista “Muse” número 22, foi publicada em 2010. 

Ana Maria (Brasil) / Lunna (Brasil)
O caso de Ana Maria e Lunna é corte de custos total já que as revistas aproveitaram as imagens de divulgação da série As Cariocas para compor suas capas com Angélica, conhecida por ser boa vendas. Em ambas as revistas, a decisão é justificável pois a Ana Maria é uma revista com preço de capa de R$1,99; logo os custos de edição também devem ser baixos. Já a Lunna, é editada por uma editora menor e essa é uma das primeiras capas da publicação.

Cosmopolitan UK / Cosmopolitan França

Vogue Japão / Marie Claire Austrália

Rolling Stone Grécia / Black Book

Época / Veja
Na semana do terremoto no Haiti, em 2010, o que aconteceu não foi exatamente uma reutilização de imagens. Por se tratar de conteúdo fotojornalístico de uma tragédia que aconteceu em outro país, não há muito o que fazer, a solução foi comprar fotos de alguma agência. Época e Veja só tiveram o azar de escolher a mesma foto.


Esse post foi uma dica da Stella Hiroki

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