História das revistas masculinas no Brasil

segunda-feira, 29 de junho de 2015


As revistas surgiram no Brasil pouco depois do estabelecimento da corte portuguesa no país, no início do século XIX, e seguiam um mesmo padrão editorial. Pareciam muito mais com livros que com revistas e publicavam assuntos eruditos (história, literatura, filosofia, discursos sobre costumes, virtudes sociais etc). 

Em 1898, surgiu um tipo de publicação totalmente voltada para o público masculino, as chamadas "galantes”, que traziam temas como política, sociedade, piadas, caricaturas, desenhos, contos e fotos eróticas. 

A primeira foi O Rio Nu, que contava com a presença de fotografias importadas da França mas nunca chegou a investir muito em qualidade gráfica, ao contrário do que fez a revista A Maçã, de 1922.




Em A Maçã era utilizada a técnica de impressão conhecida como zincografia, uma espécie de gravura impressa a partir de chapas de materiais econômicos como zinco ou alumínio, o que barateava o custo (apesar de o offset ter sido inventado nos Estados Unidos em 1914, ainda não era largamente utilizado). As tintas eram as mesmas da gravura comum e com a ajuda de grande domínio técnico por parte do artista que coloria as imagens, com apenas duas cores de impressão eram criadas várias nuances que davam a ilusão de que a gravura era impressa em várias cores.

As galantes acabaram sumindo do mercado por conta da censura do Estado Novo (1937-1945). Na década de 1950, foram substituídas por revistas clandestinas chamadas “catecismos”, que possuíam histórias em quadrinhos eróticas e foram ilustradas por Carlos Zéfiro, um funcionário público aposentado cuja identidade só foi revelada em 1991 pelo jornalista Juca Kfouri em reportagem para a revista Playboy. Apenas em 1966 surgiu a Fairplay, uma revista que combinava nus femininos com textos de colaboradores de prestígio, como Vinicius de Moraes e Nelson Rodrigues. Porém, acabou fechando por conta da censura da Ditadura Militar (1964-1985). 




Na década de 1970, surgem ainda Status (1974), da editora Três e Playboy (1975), da Editora Abril. Em 1981, é lançada a revista Vip, com conteúdos jornalísticos e ensaios de mulheres seminuas e, em 1986, surge a revista Trip, publicada pela editora de mesmo nome. Em 1992, a editora Rickdan lança a revista Sexy que se tornaria a principal concorrente de Playboy. Em 2008, a Editora Escala traz sua versão brasileira da britânica Maxim. Em 2010, a Editora Abril lança a revista Alfa (encerrada em 2013), voltada para um público masculino acima dos 30 e cujo ponto forte são os textos. Apesar de possuir ensaios fotográficos com mulheres (vestidas), este não é foco principal da revista. Na mesma linha, a Edições Globo-Condé Nast traz em 2011 a versão brasileira da GQ.


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